A Batalha do Cricaré
Atravessar
o oceano Atlântico para fixa residência no Brasil, no século XVI, era
considerado no mínimo uma loucura. Enfrenta as doenças tropicais, os
animais selvagens e os índios não eram coisa fácil. Bem por isso que os
primeiros portugueses que Vasco Fernando Coutinho trouxe para sua
capitania do Espírito Santo vieram dos Cáceres de Portugal. Eram ladrões,
salteadores e assassinos que recebiam perdão dos seus crimes, desde de
que viessem para ficar no Brasil. Isso era o que determinava um decreto do
Rei Dom João III, em 1534.

Quando aqui
chegavam com suas armas de fogo, dominava os índios que se defendiam com
armas primitivas – arco e flecha, tacape (lança de madeira) e bordunas
(pedaço de pau tipo cacetete). Os índios eram escravizados para o
trabalho nos engenhos e suas mulheres eram usadas para suas sevicias e
prazeres.
Os índios
começaram a entender que aquele povo poderoso estava vindo para ficar e
trataram de se defender como podiam, juntando-se até com nações e
tribos adversárias.
Vasco
Fernandes Coutinho pediu que o Governador Geral o acudisse, senão poderia
ser devorado pelos índios.
Mem de Sá, recém empossado em Salvador, mandou seu filho Fernão de Sá
com seis caravelas e duzentos homens para afugentar os índios.

Quando Fernão
de Sá chegou em Porto Seguro recebeu a informação que existiam muitos
índios na região da aldeia do Cricaré. Por subestimar a valentia dos índios
e por descuido dos soldados, o filho do governado avançou muito na
perseguição e ficou sem pólvora. Os índios perceberam e avançaram
sobre ele que estava apenas com dez homens. Ele foi morto juntamente com
Manuel Álvares e Diogo Álvares, ambos filho de Diogo Álvares Correia, o
Caramuru – homem de fogo – e mais três soldados.
A batalha
aconteceu em vários pontos da margem do rio Cricaré, inclusive no rio
Mariricu (variação da palavra Marerike, que quer dizer fortaleza de
pau-a-pique), no inicio do ano de 1558.
Após a
morte de Fernão de Sá, juntou-se um grande numero de soldados
portugueses que entraram na região do rio Cricaré matando milhares de índios.
Esses episódios
se configuram como a primeira derrota dos portugueses na costa brasileira
e também como o maior genocídio cometido contra os índios no Brasil.
Depois na
Batalha do Cricaré a povoação de São Mateus recebeu mais colonos que
foram transformando a povoação numa grande produtora de farinha de
mandioca da costa brasileira. Marinheiros de varias partes aqui chegavam
trocando facões, machados e pólvora por alimento (principalmente a
farinha). Já os mineiros que viviam nos sertões de São Mateus vinham
trocar pedras preciosas por armas, pólvora, ferramentas e roupas.